Gente, vou explicar daqui a não sei quantos dias. Mas o fato é que o desjanela tem um nome muito difícil e eu não me sinto mais em casa. Eu sou geminiana. Ascendente em leão. Lua em peixes. Me desculpem, mas preciso de paixão e a inconstância me domina sometimes.
Eu realmente queria poder ser fiel e legal com quem me visita, mas no momento só preciso de um lugar melhor.
Estou carente de visitas e tenho um novo endereço.
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WWW.TAGMETENDER.BLOGSPOT.COM
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Ficaria muitíssimo grata com a visita e o carinho de vocês. BEIJO.
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
2010 é vida!!!
Pulei as 7 ondas, paguei uns 7 pecados, não dei um primeiro beijo do ano, fiz uns 7 amigos, ouvi uns 7 desaforos, dormi num hotel fulera, chorei, perdi o ônibus, fiz uma tattoo. Enfim.
2010 é vida, eu sou uma nova pessoa e desejo tudo de bom pra quem me visita por aqui!!!
Tô pensando em migrar definitivamente desse endereço para o Tag me Tender.
A gente vai se falando aê!
2010 é vida, eu sou uma nova pessoa e desejo tudo de bom pra quem me visita por aqui!!!
Tô pensando em migrar definitivamente desse endereço para o Tag me Tender.
A gente vai se falando aê!
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
hemácias loucas
Da boca da minha irmã de sangramento saíram as palavras que eu já havia dito. Mais excitante para nós, humanos, é ouvir humanos. Do que teorias utópicas, práticas cinematográficas e ilusões medíocres. Nós gostamos do acre. Temos o veneno escorrendo na língua. Nosso suor cheira bem. Nós somos invencíveis quando amamos o fracasso.
Como Mallory Knox deixando vazar pelo veludo da voz.
- I think I was boooorn... naturally boooorn… born bad.
Da boca da minha irmã da terra caíram os lençóis de seda. O fel dos pudores inanimados refletiu o sol da manhã desafortunada. Cheia de cédulas desgovernadas é a inabilidade de sentir. Massa technicolor corroída junto aos trilhos da cidade.
- Siga o caminho dos tijolos amarelos.
Sim, eu preciso de você. Preciso de você como o ar que eu respiro. Preciso de você como preciso de todos os outros que cruzaram o meu caminho. E os que hão de cruzá-lo. Preciso de você para mostrar o que arrepia meus pêlos metafísicos. Preciso de você pra celebrar a inútil alegria de permanecer vivo. Alive. Wondering for a life.
E ainda preciso de você para entender o que o resto do cenário quer nos dizer.
E, em resumo, preciso de você para minha satisfação egoísta. Porque todo mundo precisa de alguém e eu não conheço ninguém além de mim. Então preciso de você porque você me dá a certeza de que eu existo.
Nada é possível no mundo dos aflitos. Somos todos a mesma pele dentro do mesmo pote científico. Experimentos de alguma criatura indomável e sem pena. Ou podemos simplesmente acreditar nisso para que a chuva sanguinária se pareça com maya. Fina. Maya com seu lindo véu de nuvem míope nos olhando por cima dos óculos. Fitando nossos olhos pálidos e sem fome com uma vergonha de quem ama.
Eu tenho vergonha das pessoas que me olham nos olhos. Elas me olham sem aparente dúvida e acreditariam em qualquer coisa que eu denominasse loucura. E desafiariam qualquer profundidade que eu ousasse cortar. O semblante limpo e talhado com todas as armas conhecidas da lógica real é imune.
- I guess I was born... naturally born... born bad.
(Depois de talvez mais de um mês em silêncio que não é morte, despejo.)
Como Mallory Knox deixando vazar pelo veludo da voz.
- I think I was boooorn... naturally boooorn… born bad.
Da boca da minha irmã da terra caíram os lençóis de seda. O fel dos pudores inanimados refletiu o sol da manhã desafortunada. Cheia de cédulas desgovernadas é a inabilidade de sentir. Massa technicolor corroída junto aos trilhos da cidade.
- Siga o caminho dos tijolos amarelos.
Sim, eu preciso de você. Preciso de você como o ar que eu respiro. Preciso de você como preciso de todos os outros que cruzaram o meu caminho. E os que hão de cruzá-lo. Preciso de você para mostrar o que arrepia meus pêlos metafísicos. Preciso de você pra celebrar a inútil alegria de permanecer vivo. Alive. Wondering for a life.
E ainda preciso de você para entender o que o resto do cenário quer nos dizer.
E, em resumo, preciso de você para minha satisfação egoísta. Porque todo mundo precisa de alguém e eu não conheço ninguém além de mim. Então preciso de você porque você me dá a certeza de que eu existo.
Nada é possível no mundo dos aflitos. Somos todos a mesma pele dentro do mesmo pote científico. Experimentos de alguma criatura indomável e sem pena. Ou podemos simplesmente acreditar nisso para que a chuva sanguinária se pareça com maya. Fina. Maya com seu lindo véu de nuvem míope nos olhando por cima dos óculos. Fitando nossos olhos pálidos e sem fome com uma vergonha de quem ama.
Eu tenho vergonha das pessoas que me olham nos olhos. Elas me olham sem aparente dúvida e acreditariam em qualquer coisa que eu denominasse loucura. E desafiariam qualquer profundidade que eu ousasse cortar. O semblante limpo e talhado com todas as armas conhecidas da lógica real é imune.
- I guess I was born... naturally born... born bad.
(Depois de talvez mais de um mês em silêncio que não é morte, despejo.)
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
folha branca
Estanque retina
Por noites a fio na tua meia insone
Mergulha no vazio descomunal das tuas células
Das minhas 23 dúvidas, brilha uma
A única, distante
Vaga
Noir
Toda a substância branca
Aos meus olhos
Muito negra, muito mais negra vista do alto
Estupidez da minha espinha dorsal que te afasta
Toda negra
Olhando as sobras líquidas
Tua sombra
Nos degraus da minha escada
Pés descalços
Nua...
Sigo infinda
Ainda sim, líquida
Mártir
No teu encalço...
Por noites a fio na tua meia insone
Mergulha no vazio descomunal das tuas células
Das minhas 23 dúvidas, brilha uma
A única, distante
Vaga
Noir
Toda a substância branca
Aos meus olhos
Muito negra, muito mais negra vista do alto
Estupidez da minha espinha dorsal que te afasta
Toda negra
Olhando as sobras líquidas
Tua sombra
Nos degraus da minha escada
Pés descalços
Nua...
Sigo infinda
Ainda sim, líquida
Mártir
No teu encalço...
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
ÊÊÊ!
clicaquiiiiiii...
from belesma central party
Exatamente com a mesma certeza de Liz em não saber com que pé acordar, Maria, Marília ou Marina olhou pela janela à espera do anoitecer.
Dentro de toda aquela solidão semântica. De repente, seu coração poderia virar um mioma colorido com um MIAMA escrito bem no meio com bic preta. Ou ela poderia ser uma abelha em cima do bolo de aniversário dele.
Dentro do egoísmo tântrico, a noite.
Dentro do infinito trépido, a abelha.
Far away, far away...
Dentro de toda aquela escuridão sem mantra, fly away.
Sabia que tudo aquilo era o sentido de tudo. Tudo o que esquecia. Tudo o que aparecia. Porque o vento é melhor quando uma nuvem branca cobre todos os desejos e cai uma chuva fina em seu rosto que é a mesma chuva fina de qualquer rosto.
O que muda é o céu.
Lá vem Billy Hardly. Quem se importa?
Hoje o céu era seu. E por isso e só por isso mandou o sentido pastar e ficou ali sentada sentindo sem se importar com porra nenhuma senão a espera do vento gritando nos olhos...
domingo, 4 de outubro de 2009
ppqp
- E aí, como foi o dia?
- Bão pão, napadapa depemaispais...
- Ahn..?
- Ahpah, épé quepe tôpô meipeiopo chapatapa. Queperipiapa fapazerper alpalgupumapa coipoisapa, maspas tupudopo épé upumapa merperdapa...
- Dá pra parar?
- Não, pão.
- Bão pão, napadapa depemaispais...
- Ahn..?
- Ahpah, épé quepe tôpô meipeiopo chapatapa. Queperipiapa fapazerper alpalgupumapa coipoisapa, maspas tupudopo épé upumapa merperdapa...
- Dá pra parar?
- Não, pão.
sábado, 3 de outubro de 2009
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
ihhhh
Meio cansada disso aqui, alguém nota?
Também tô correndo com a II Semana de Comunicação e concluindo algumas coisas que comecei (ufa!) e aceitando tudo quanto é proposta decente de trabalho. Trabalhar nem sempre significa ganhar dinheiro, mas um belo dia isso acontece.
Cheiro pra quem passa por aqui, logo mais tem novidade. Assim que eu voltar.
Também tô correndo com a II Semana de Comunicação e concluindo algumas coisas que comecei (ufa!) e aceitando tudo quanto é proposta decente de trabalho. Trabalhar nem sempre significa ganhar dinheiro, mas um belo dia isso acontece.
Cheiro pra quem passa por aqui, logo mais tem novidade. Assim que eu voltar.
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
inútil tentar
Menos perigoso que estripulia infantil, usava os olhos absolutamente indisciplinados para assustar as criancinhas da rua. Trocava de pele num ritmo íntimo, pior que braile. Uma incompatibilidade de códigos. Não tinha aquele pé pós pé gentil. Nem mãos grandes ou outro vestígio.
Do nada ele cospe em você, milimetricamente indiferente pra gerar dúvida.
Usa a disritmia dos passos para te deixar meio abobalhada e submerge numa lentidão irritante, tentando ser implacável sem o menor jeito pra assimilar o avesso.
Sabe quando a raiva pega fogo de uma palha qualquer e se atrapalha com as cores da própria chama?
Eu nem me precipício, minuciosamente arquitetada pra gerar labirinto...
Do nada ele cospe em você, milimetricamente indiferente pra gerar dúvida.
Usa a disritmia dos passos para te deixar meio abobalhada e submerge numa lentidão irritante, tentando ser implacável sem o menor jeito pra assimilar o avesso.
Sabe quando a raiva pega fogo de uma palha qualquer e se atrapalha com as cores da própria chama?
Eu nem me precipício, minuciosamente arquitetada pra gerar labirinto...
domingo, 13 de setembro de 2009
shit happens
Qual o nome do planeta onde nós nos beijamos?
Penso novamente nos ossos dela. E tantas que mal tenho dedos.
Nós, esquerdas, já fomos bruxas.
Por onde andará Mary Jane?
A cebola me disfarça nessa névoa incandescente que me resta.
Mas eu te espero, porque o grito dos teus olhos é mais...
Pura bobagem, deixei esse tom dentro da gaveta, junto com os impressos. Todos eles mútuos.
Palavras e mais palavras e só palavras em frente e verso.
Quantas mulheres você levou pra minha cama?
Meu nome é miragem.
Penso novamente nos ossos dela. E tantas que mal tenho dedos.
Nós, esquerdas, já fomos bruxas.
Por onde andará Mary Jane?
A cebola me disfarça nessa névoa incandescente que me resta.
Mas eu te espero, porque o grito dos teus olhos é mais...
Pura bobagem, deixei esse tom dentro da gaveta, junto com os impressos. Todos eles mútuos.
Palavras e mais palavras e só palavras em frente e verso.
Quantas mulheres você levou pra minha cama?
Meu nome é miragem.
terça-feira, 1 de setembro de 2009
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
vintage
Chá e outras especiarias a convidaram a sair da cama. Qualquer coisa saudável para equilibrar os brindes da noite antiga. Aquele iluminar de porta aberta brilhou o quarto. Porta aberta. Sempre aberta.
- Eu sou feia?
- Não, você tem uma beleza antiga que me fascina.
- Beleza antiga?
- É.
Ok. Se sentiu Brigitte Bardot sentada na privada. Comédias moveram seus dedos para incorporar a fantasia ao cabelo. Cantou Lindonéia solteira subindo as escadas.
- Eu sou gorda? Às vezes acordo me sentindo feia.
- Você é uma gata.
Pensou na lua cheia da sua janela e nos uivos do seu coração. Posso até ser feia, mas meu coração é um pitéu. E eu sei fazer sorrir com as coisas que uso.
Lindonéia desapareceu no ardor da porta aberta. Ninguém precisa de lençol quando só restam duas estações.
- Posso usar esse esfoliante?
Quando eu voltar você vai estar sonhando, mas ainda me restará algum humor. Pessoas solitárias se divertem sozinhas, embora não seja o bastante.
- Acorda, Lindonéia. O dia começou de novo...
- Eu sou feia?
- Não, você tem uma beleza antiga que me fascina.
- Beleza antiga?
- É.
Ok. Se sentiu Brigitte Bardot sentada na privada. Comédias moveram seus dedos para incorporar a fantasia ao cabelo. Cantou Lindonéia solteira subindo as escadas.
- Eu sou gorda? Às vezes acordo me sentindo feia.
- Você é uma gata.
Pensou na lua cheia da sua janela e nos uivos do seu coração. Posso até ser feia, mas meu coração é um pitéu. E eu sei fazer sorrir com as coisas que uso.
Lindonéia desapareceu no ardor da porta aberta. Ninguém precisa de lençol quando só restam duas estações.
- Posso usar esse esfoliante?
Quando eu voltar você vai estar sonhando, mas ainda me restará algum humor. Pessoas solitárias se divertem sozinhas, embora não seja o bastante.
- Acorda, Lindonéia. O dia começou de novo...
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
do que se perdeu sem virar pó
Se era a falta de uma lentidão nos ponteiros metálicos ou um ruído no bater de asas anônimas
Verdade é que nada se sabe quando o vão bate, desesperadamente, às 4:30, sem pena
E sem café
- Oi?
- Oi.
Tá frio cortante de morder a língua, de tremer os lábios, esse teu estar sem roupa nem medo...
Cá e lá, não sei onde acaba o se
E dentro daquela esfera aromática verde repousa os sonhos que alguém guardou e esqueceu
Eu durmo ao lado meu, sem aromas nem verdes, pouso e esqueço os ponteiros metálicos
Automática espera
Uma voz perdida
tender, true, fulfilled
Pegarei o primeiro mapa e sumirei num vôo...
Verdade é que nada se sabe quando o vão bate, desesperadamente, às 4:30, sem pena
E sem café
- Oi?
- Oi.
Tá frio cortante de morder a língua, de tremer os lábios, esse teu estar sem roupa nem medo...
Cá e lá, não sei onde acaba o se
E dentro daquela esfera aromática verde repousa os sonhos que alguém guardou e esqueceu
Eu durmo ao lado meu, sem aromas nem verdes, pouso e esqueço os ponteiros metálicos
Automática espera
Uma voz perdida
tender, true, fulfilled
Pegarei o primeiro mapa e sumirei num vôo...
terça-feira, 4 de agosto de 2009
voltandoooo
Eu tô treinando a alquimia subjetiva pra sair desse cineminha básico, procurando a linha difusora de abreviações da memória. Queria o nada que apavora, porque dele é que sai tudo. Me disseram que garganta gasta não grita. Mas eu vou achar o incrível maço de emoções. Provavelmente está escondido em algum lugar do meu Carlton...
Ou não... ou não... ou não... (cantando)
Ou não... ou não... ou não... (cantando)
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Eu não vou mais calar os ocos que insistem em entrar
As explosões que procuram invadir
Da minha voz é que saem todos os álibis
Invisíveis a olhos crus
Sirvo porque eu sou serva
da lotação
Ou lateja ou evapora
Minha luta, eterna luta sã
Detesta certas palavras
Mas não quero afastar nada
Tudo me pertence e transborda da minha mente...
As explosões que procuram invadir
Da minha voz é que saem todos os álibis
Invisíveis a olhos crus
Sirvo porque eu sou serva
da lotação
Ou lateja ou evapora
Minha luta, eterna luta sã
Detesta certas palavras
Mas não quero afastar nada
Tudo me pertence e transborda da minha mente...
nem vem
A tua palavra, amolada na tua ignorância cega
veio torta como bicho morto
bruto
mal sabes tu o deserto em que pisas
sou um céu de vão e brilho que desconheces
e vôo longe de mim quando me esqueço
eu sou
eu sou
e serei sem fim ou sem paz
tenho meus Ás e minha espada
eu sangro porque eu vivo
e serei assim, devolvo com o que eu tenho
amor, verve e poesia
veio torta como bicho morto
bruto
mal sabes tu o deserto em que pisas
sou um céu de vão e brilho que desconheces
e vôo longe de mim quando me esqueço
eu sou
eu sou
e serei sem fim ou sem paz
tenho meus Ás e minha espada
eu sangro porque eu vivo
e serei assim, devolvo com o que eu tenho
amor, verve e poesia
quinta-feira, 9 de julho de 2009
terça-feira, 30 de junho de 2009
perto do rio...
Lembro-me da primeira vez que resolvi te testar. Achei que estava sendo injusta e fria, mas sentia que era preciso. Todo o amor que eu sentia dentro de mim e que era seu já não passava de brasa que as oscilações das brisas mantinham acesa. Eu já aguardava o fim. E isso doía. E a dor me movia, dentro da minha credibilidade voluntária de que a luta sã é bela. De que a guerra fria de um coração que não deseja partir é sagrada. Era um combate interno e eu já estava dilacerada. E antes mesmo de contar, peço perdão. A mim mesma. Perdão à cada cicatriz que me acompanhou desde então. Eu amo cada uma delas. Com um amor específico, que às vezes me esqueço. E ainda amo o que senti por você durante a luta, a guerra e o combate.
Eu te disse que me emocionava quando lia um certo conto e que leria para você em voz alta, ali. Te pedi silêncio e nós sentamos no chão. Abri o papel que guardava em uma gaveta ao lado da minha cama. Olhei você dentro dos seus olhos, num pacto só meu, acreditando que você estava comigo. E li sobre ela, que tinha as mãos duras e cheias de ossos, que entrou no trem e partiu, que antes de partir mostrou os pés de criança e que sumiu e esqueceu de onde veio. E li sobre o bilhete que falava de uma tarde cinzenta e sobre como aquilo doía e sobre como um dia eles iriam se encontrar numa tarde também cinzenta e só olhar, só olhar, só olhar e pensar, Deus, meu Deus, como dói dentro deles.
Você me doía, era isso que eu estava tentando dizer. Sem saber. Era por isso que eu chorava quando lia tudo aquilo. Era daí que vinha aquele frio que me cobria por dentro, congelando meus sentidos e uma lágrima no canto do olho. Você me doía e eu não sabia como te dizer. Eu queria doer você. Da mesma forma, com as mesmas armas.
Quando te olhei dentro dos seus olhos novamente você já tinha ido. Então te chamei de novo e te mostrei uma música. E estava fria e injusta novamente. E queria te doer desesperadamente. E então eu coloquei a música que me tirava de mim. Uma música que me transportava para quem vivia comigo. E não era você. Era uma parte de mim mesmo que funcionava bem melhor quando você partia. Era Suzanne. E era bem maior do que Harriet.
Suzanne era tão forte e tão segura de si que continuou falando que queria viajar cega enquanto você mexia a boca em vão. Ali, eu te via clamando atenção, tão pequeno e pálido. Magro, bobo e com a boca tremendo. E ela era tão mais segura e tão mais forte que eu continuei com ela enquanto você me chamava. Porque ela também me chamava e o lugar dela era mais perto do rio. E ela era minha comida e minha bebida. Me dava chá e laranjas. E chorei quando Suzanne me esqueceu. Voltei para o quarto e você ainda me chamava.
Continuei parada, observante das minhas criações. Fria. Injusta. Depois de Harriet e Suzanne, eu não seria sua. Se você não quis ir com elas, jamais iria comigo. Então eu te deixei falar e resolvi te doer só pra mim, deitada sobre o chão de assoalho. Desisti. Já não importava. Se você quisesse ir embora eu até te ofereceria um copo com água e te diria vai em paz, como eu sempre digo. E você iria em paz. Com a paz de quem nunca viu Suzanne nem Harriet. Com a paz de nunca ninguém ter te doído. Até o dia em que notasse que a paz tinha derretido no piso de assoalho, morrido na guerra fria e injusta, se escondido no olho sem vontade de luta.
E aí seria tarde. Seria o fim. Tudo estaria bem, a minha paz ecoaria eternamente e eu já teria esquecido de te doer. E só assim eu te doeria. Porque embora a gente acredite que nada há que não seja mútuo, só a solidão é divina e mundana ao mesmo tempo. É tudo ilusão. Nada é mútuo. Tudo no mundo é pessoal, específico e sozinho. E fora disso, nós, nos alimentamos de vertigem nas tardes cinzentas e quando vamos em paz...
Mas tudo existe, meu bem. E grita dentro da gente...
Eu te disse que me emocionava quando lia um certo conto e que leria para você em voz alta, ali. Te pedi silêncio e nós sentamos no chão. Abri o papel que guardava em uma gaveta ao lado da minha cama. Olhei você dentro dos seus olhos, num pacto só meu, acreditando que você estava comigo. E li sobre ela, que tinha as mãos duras e cheias de ossos, que entrou no trem e partiu, que antes de partir mostrou os pés de criança e que sumiu e esqueceu de onde veio. E li sobre o bilhete que falava de uma tarde cinzenta e sobre como aquilo doía e sobre como um dia eles iriam se encontrar numa tarde também cinzenta e só olhar, só olhar, só olhar e pensar, Deus, meu Deus, como dói dentro deles.
Você me doía, era isso que eu estava tentando dizer. Sem saber. Era por isso que eu chorava quando lia tudo aquilo. Era daí que vinha aquele frio que me cobria por dentro, congelando meus sentidos e uma lágrima no canto do olho. Você me doía e eu não sabia como te dizer. Eu queria doer você. Da mesma forma, com as mesmas armas.
Quando te olhei dentro dos seus olhos novamente você já tinha ido. Então te chamei de novo e te mostrei uma música. E estava fria e injusta novamente. E queria te doer desesperadamente. E então eu coloquei a música que me tirava de mim. Uma música que me transportava para quem vivia comigo. E não era você. Era uma parte de mim mesmo que funcionava bem melhor quando você partia. Era Suzanne. E era bem maior do que Harriet.
Suzanne era tão forte e tão segura de si que continuou falando que queria viajar cega enquanto você mexia a boca em vão. Ali, eu te via clamando atenção, tão pequeno e pálido. Magro, bobo e com a boca tremendo. E ela era tão mais segura e tão mais forte que eu continuei com ela enquanto você me chamava. Porque ela também me chamava e o lugar dela era mais perto do rio. E ela era minha comida e minha bebida. Me dava chá e laranjas. E chorei quando Suzanne me esqueceu. Voltei para o quarto e você ainda me chamava.
Continuei parada, observante das minhas criações. Fria. Injusta. Depois de Harriet e Suzanne, eu não seria sua. Se você não quis ir com elas, jamais iria comigo. Então eu te deixei falar e resolvi te doer só pra mim, deitada sobre o chão de assoalho. Desisti. Já não importava. Se você quisesse ir embora eu até te ofereceria um copo com água e te diria vai em paz, como eu sempre digo. E você iria em paz. Com a paz de quem nunca viu Suzanne nem Harriet. Com a paz de nunca ninguém ter te doído. Até o dia em que notasse que a paz tinha derretido no piso de assoalho, morrido na guerra fria e injusta, se escondido no olho sem vontade de luta.
E aí seria tarde. Seria o fim. Tudo estaria bem, a minha paz ecoaria eternamente e eu já teria esquecido de te doer. E só assim eu te doeria. Porque embora a gente acredite que nada há que não seja mútuo, só a solidão é divina e mundana ao mesmo tempo. É tudo ilusão. Nada é mútuo. Tudo no mundo é pessoal, específico e sozinho. E fora disso, nós, nos alimentamos de vertigem nas tardes cinzentas e quando vamos em paz...
Mas tudo existe, meu bem. E grita dentro da gente...
sábado, 13 de junho de 2009
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